1. SEES 3.10.12

1. VEJA.COM
2. CARTA AO LEITOR  A CHANCE FOI PERDIDA
3. ENTREVISTA  BOB IGER  A TECNOLOGIA DO OTIMISMO
4. MALSON DA NBREGA  O OUTRO LADO DO MENSALO
5. LEITOR
6. BLOGOSFERA
7. EINSTEIN SADE  CNCER DE PELE: TRATAMENTO SEM CIRURGIA

1. VEJA.COM
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

UM ANO SEM EMAGRECEDORES
Nesta semana, a proibio no Brasil dos emagrecedores derivados de anfetamina completa um ano. Mazindol, anfepramona e femproporex, medicamentos que, em alguns casos, j eram comercializados havia dcadas, saram de circulao, deixando pacientes e mdicos sem opes de tratamento para muitos casos de obesidade, j que a sibutramina, poupada pela Anvisa, no  indicada em algumas situaes. Dirceu Barbano, diretor do rgo, j descartou categoricamente a volta dos anfetamnicos e disse que os mdicos brasileiros tm de aprender a tratar a obesidade com os europeus, que tambm no dispem dessa categoria de medicamentos. Reportagem de VEJA.com conversou com endocrinologistas e pessoas que precisam emagrecer para entender como eles esto vivendo sem os remdios proibidos.

OS NATIVOS DIGITAIS 
Para a neurocientista britnica Susan Greenfield, videogames e redes sociais esto criando uma nova gerao  a de nativos digitais  que vai passar a maior parte da vida on-line. As crianas que esto crescendo agora no ciberespao no vo aprender como olhar algum nos olhos, no vo aprender a interpretar tons de voz ou a linguagem corporal, disse ela em entrevista ao site de VEJA. Susan afirma ainda que no adianta simplesmente proibir crianas e adolescentes de usar videogames e redes sociais.  preciso oferecer a eles um mundo tridimensional mais interessante.

IDEIAS DE KEYNES EM UVRO
No Brasil de hoje, o nome de John Maynard Keynes  sempre invocado para sustentar a ideia de que o estado deve ter uma presena forte na economia. Em entrevista ao site de VEIA, o economista paulista Jos Roberto Afonso, autor do recm-lanado Keynes, Crise e Poltica Fiscal, coteja as obras do grande economista britnico com aquilo que se diz sobre elas para mostrar que  falsa  exceto em circunstncias bem definidas  a imagem de apologista do intervencionismo estatal. E ainda:
 um perfil de Keynes;
 lista sobre os quatro gigantes da economia no sculo XX.

VINTE ANOS CONTRA A CORRUPO
H exatos vinte anos, Fernando Collor de Mello, flagrado no centro de um grande escndalo de corrupo, renunciava  Presidncia da repblica numa tentativa de evitar seu impeachment. No funcionou: a deciso foi tomada momentos antes de o senado cassar-lhe o mandato e os direitos polticos por oito anos. Desde ent]ao, o pas avana no combate  corrupo. Reportagem no site de VEJA mostra como o Brasil fortaleceu suas instituies at chegar a um novo marco na guerra contra a impunidade: o julgamento do mensalo no Supremo Tribunal Federal.


2. CARTA AO LEITOR  A CHANCE FOI PERDIDA
     Nenhum homem  uma ilha / fechada em si mesma / Cada um  um pedao do continente / uma parte do todo, escreveu o poeta ingls John Donne (1572- 1631), antecipando profeticamente a globalizao arrebatada que hoje engolfa o planeta em um ecossistema econmico simbitico e nico em que cada pas  altamente dependente do todo. Se os Estados Unidos emitem bilhes de dlares sem lastro para dar um empurro na sua economia, o mundo inteiro  atingido pelas ondas de choque. Como disse a presidente Dilma Rousseff em seu discurso de abertura dos trabalhos da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, na semana passada, os impactos negativos da injeo de liquidez no mercado americano so a valorizao excessiva da moeda brasileira e a consequente diminuio da competitividade dos produtos brasileiros de exportao. Dilma qualificou essa poltica adotada por Washington de protecionismo, acrescentando que todo ganho obtido por esse meio  esprio. A presidente acertou ao reconhecer a interdependncia das economias, mas se equivocou ao apontar o dedo acusatrio para fora do Brasil.
     Dilma perdeu uma grande chance de reafirmar perante o mundo o grau de racionalidade e maturidade do Brasil, que vem sendo superado pouco a pouco por pases vizinhos mais bem-sucedidos na projeo de uma imagem internacional de nao estvel, respeitadora de contratos e dotada de um governo regulador sbio e pouco intervencionista. Aos olhos do capital externo empreendedor, o Brasil est ficando menos confivel do que o Chile, a Colmbia e o Peru. Uma lstima. Dinheiro no aceita desaforo. Capital, menos ainda. Vtima da mesma e desastrada presuno que j a trara antes ao dar conselhos a Angela Merkel, a primeira-ministra da Alemanha, sobre como administrar a quarta maior economia do planeta, Dilma se esqueceu em Nova York de que o Brasil  um cone do protecionismo se comparado aos Estados Unidos. A tarifa mdia de importao cobrada pelo Brasil  de 11,6%. A dos Estados Unidos  de apenas 1,4%.
     A presidente teria sido muito mais feliz, e fiel ao choque de gesto que ela se props a dar recentemente, se houvesse aproveitado o palco privilegiado para mostrar que o Brasil tem a exata noo da natureza de seus entraves econmicos  falta de produtividade, infraestrutura indigente, tributao excessiva da mo de obra e a desanimadora selva de impostos e burocracia. So problemas internos que, atacados com sucesso, deixariam a economia brasileira mais competitiva e menos suscetvel s ondas de choque externas. Enquanto essas barreiras no forem removidas, a pergunta de John Donne sobre por quem os sinos dobram ter apenas uma resposta: eles dobram por ns.


3. ENTREVISTA  BOB IGER  A TECNOLOGIA DO OTIMISMO
O presidente da Disney diz que o mundo digital vai mudar o modo como as pessoas acessam os filmes  mas no o tipo de entretenimento que elas apreciam.

O CEO da Disney, Robert (Bob) Iger, se recorda com orgulho da relao que manteve com Steve Jobs, o criador da Apple, morto no ano passado. Fomos grandes parceiros de negcios, mas, antes de tudo, fomos amigos. Ele dizia que era raro encontrar executivos de mdia como eu, com um genuno interesse por tecnologia, diz. Em 2005, ao assumir a presidncia da Disney, Iger consolidou a compra do estdio de animao Pixar, que pertencia a Jobs, e inovou ao vender filmes e programas de TV para o iPod. Aos 61 anos, Iger comanda um conglomerado que inclui a rede de TV ABC, o canal de esportes ESPN e os estdios Marvel, alm da Pixar e dos estdios e parques Disney. De passagem pelo Brasil, Iger falou de suas ideias para continuar a expanso desse imprio.

O senhor deve deixar o cargo de CEO da Disney em 2015, depois de completar dez anos na funo. Qual ser seu legado para a companhia? 
H muitas maneiras de medir uma companhia ao longo de uma dcada. Obviamente, tem de se olhar para a parcela que ela ocupa no mercado, para o valor de suas aes, para o lucro  e meu histrico  bom em todos esses pontos. Mas meu objetivo era fazer da Disney uma das companhias mais admiradas no mundo, e espero que ela o seja quando eu deixar o cargo. Se voc conseguiu isso, conseguiu o principal, e provavelmente sua lucratividade estar maior tambm.

A Disney havia perdido essa admirao antes de sua gesto? 
Eu no olho para trs. Prefiro olhar para a frente.

Um de seus grandes projetos  o parque Disney em Xangai, que deve comear suas atividades em 2015. Que adaptaes foram necessrias para fazer um parque desses moldes na China? 
Contamos com uma vantagem: uma marca e personagens como Mickey, que tm grande apelo em todo o mundo. Mas isso no nos d o direito de impor tudo, como imperialistas culturais. Temos de ter uma apreciao profunda pela cultura local e fazer com que as pessoas sintam que o mundo do parque pertence a elas. Em Xangai, o visitante ter a experincia Disney autntica, mas de um modo nico, que  chins. Um pequeno exemplo: todos os parques Disney tm um setor chamado Main Street, que  uma reproduo de uma cidadezinha americana do incio do sculo XX  o tipo de lugar onde Walt Disney cresceu. Isso no teria apelo para os chineses. Esse parque ser, portanto, o primeiro sem Main Street. Mas ainda no posso adiantar o que vai substitu-la.

O senhor d a palavra final em todas as produes da Disney? 
Em algum momento antes da finalizao, vejo todos os projetos de maior relevncia, sejam filmes, programas de TV ou parques temticos, e dou sugestes. Posso ver certas coisas que escaparam aos realizadores por estarem imersos no processo. Mas exero essa prerrogativa com muito cuidado, para no travar o processo criativo.  minha responsabilidade garantir que tudo o que produzimos tenha a melhor qualidade. Com o meu cargo, tenho muita autoridade, e busco exerc-la com parcimnia, pois a comunidade criativa, com boa razo,  muito sensvel.  uma questo de julgamento subjetivo. No posso criar um funil do qual s saiam coisas que so do meu gosto.

Em comparao com CEOs de empresas de outros ramos, que qualidades so necessrias para o presidente de uma companhia que lida com criao? 
Se voc dirige uma companhia como a Disney, no pode ser s um homem de negcios.  imperativo que voc tenha algum instinto criativo. Ns, executivos, no criamos, mas somos editores, somos rbitros do gosto. Temos de saber o que  ruim e o que  bom, pois damos o sinal vermelho ou verde a projetos de grande porte, que exigem investimentos enormes. Voc tem de considerar a incerteza prpria da atividade e os riscos envolvidos.  um negcio muito imprevisvel. Voc tem de celebrar as vitrias e aprender a processar as derrotas, que sero inevitveis. No d para sair demitindo gente sempre que houver um fracasso. H nuances demais no trabalho criativo. Voc pode ter um grande roteiro para um filme, mas o diretor no faz o trabalho que se esperava. Ou o diretor  bom, mas o ator no funciona bem no papel. Depois do resultado, as razes do sucesso ou do fracasso de um filme parecem extremamente bvias. Antes,  tudo bem mais difcil.

No ano passado, a Disney teve um grande fracasso, John Carter, e a maior bilheteria do ano, com Os Vingadores, da Marvel. Isso  um exemplo dessa imprevisibilidade? 
Sim. Por uma coincidncia infeliz, houve mudanas na administrao dos estdios Disney logo depois de John Carrer. Rich Ross deixou a chefia do estdio. Mas uma coisa no teve nada a ver com a outra. Ningum foi punido, ningum perdeu seu emprego por causa de John Carter.

O que o senhor est dizendo, ento,  que  preciso permitir fracassos? 
Sim, mas s em certa medida.  claro que, se uma pessoa faz cinco fracassos, um atrs do outro, voc deve se perguntar se isso no  um problema dela.

Pesquisas de pblico e mercado no podem tornar o negcio menos imprevisvel? 
Uso as pesquisas de forma limitada. No d para se guiar por elas. Voc tem de seguir o seu instinto. Henry Ford disse que, se tivesse consultado as pessoas sobre o que queriam, elas no teriam pedido o automvel, mas um cavalo mais rpido. Se em 2003 ns tivssemos perguntado se as pessoas queriam um filme sobre piratas,  provvel que elas teriam dito no  e no teramos feito Piratas do Caribe.

Falando em Piratas do Caribe,  verdade que os executivos da Disney no gostaram do modo como Johnny Depp interpretou o protagonista do filme? 
Costumo rir dessas histrias. Os mesmos executivos que so acusados de ter detestado o filme so os que o aprovaram. Na ABC (rede de TV americana que pertence ao grupo Disney), tivemos um programa de muito sucesso, Lost, que ficou no ar por cinco anos. Havia muito boato de que eu no gostava da srie. Ora, se eu no gostasse, ela no teria sido produzida.  claro que ns questionamos os realizadores sobre suas escolhas. Lembro-me bem das conversas sobre Piratas do Caribe. Michael Eisner (ento CEO da Disney) no foi contra o filme. Ele apenas achou que o comportamento de Johnny Depp era meio esquisito. Mas naquela altura ns tnhamos visto s trailers, no o filme todo. Fora do contexto, a atuao de Johnny parecia estranha. No filme como um todo, era fantstica. Essa histria tem certo fundo de verdade, mas foi muito exagerada.

A Disney vem crescendo a uma mdia de 8% ao ano. Entre outros negcios, est expandindo parques, abriu cruzeiros temticos, comprou a Marvel. Como se faz isso em tempos de recesso? 
A companhia tinha o capital acumulado para fazer esses investimentos, apesar das agruras da economia mundial. Todos esses negcios foram feitos individualmente, e no esto relacionados uns com os outros. Mas, se voc olhar para cada um deles, ver um investimento de longo prazo. No h razo para nos limitarmos porque vivemos uma recesso, pois em algum momento os tempos ruins vo melhorar. Podemos nos beneficiar tomando decises em pocas difceis: os custos da construo, por exemplo, caram, porque ningum est fazendo grandes projetos.

Mas o consumidor no corta despesas com entretenimento em tempos duros? 
No h duas recesses iguais. Tudo depende de quo ameaadas ou pessimistas as pessoas se sentem. Aquelas que perderam o emprego, ou tiveram uma grande reduo no valor de sua casa, vo cortar gastos. Nosso negcio no est imune ao mau tempo. Mas o que fazemos ainda tem grande valor para as pessoas. A marca Disney conta muito nesse ponto: somos otimistas, cheios de aspiraes, e as pessoas confiam no que fazemos. Mesmo em tempos difceis, as pessoas ainda querem oferecer diverso  famlia. Elas confiam na Disney, sabem que tero entretenimento de qualidade.

O conceito de diverso familiar, que  to central para a companhia, mudou desde os tempos de Walt Disney? 
Houve mudanas, claro, mas isso no significa que a diverso familiar hoje tenha de ser mais ousada. Em alguns casos, as mudanas so surpreendentes. Recentemente, estava vendo desenhos animados do Z Carioca. Em um deles, dos anos 40, o nosso papagaio brasileiro aparecia fumando um charuto. A Disney nunca permitiria isso hoje. O mundo mudou muito, e as crianas esto expostas, na internet, a coisas que jamais veramos na nossa infncia. Mas, em certos pontos, estamos mais conservadores  no permitimos o fumo em desenhos animados.

Logo que assumiu a presidncia da companhia, o senhor foi pioneiro na venda de filmes e programas para o iPod, novidade que deixou assustados os varejistas que trabalham com DVDs. Quem mais vai se assustar com as inovaes tecnolgicas que vm por a? 
As nicas pessoas que tm medo so as que querem ficar estacionadas no tempo. H foras mudando o mundo. No esto mudando necessariamente o tipo de histrias que as pessoas querem ouvir, mas sim o modo como as pessoas chegam a essas histrias  atravs do iPod, por exemplo. Se voc v novidades como essa popularizando-se, tem de responder a isso, ou sua companhia vai perder relevncia, sobretudo entre o pblico mais jovem.

Foi o que aconteceu com a indstria fonogrfica? 
Sim. Eles estavam viciados em um modelo de negcio que, a seu tempo, foi muito bem-sucedido. O problema no foi apenas a recusa em aderir aos novos modelos. Em certo momento, eles acreditaram que poderiam deter o avano tecnolgico. Se eu mencionar discos para meus dois filhos mais novos, que tm 10 e 13 anos, eles nem sabem do que estou falando. Eles conhecem msicas, mas no discos de vinil ou lbuns em CD. A indstria fonogrfica tentou forar as pessoas a continuar fiis ao velho modelo. Para ouvir uma msica havia dois caminhos apenas. O primeiro era ir at uma loja, um lugar fsico, e comprar um lbum. O outro era esperar aquela msica tocar no rdio. As gravadoras queriam forar o consumidor a continuar comprando lbuns de doze faixas, quando muitas vezes ele poderia estar querendo apenas uma das msicas. Imagine empurrar ao consumidor onze coisas que ele no quer para ter o direito de levar uma que realmente deseja. A relao custo-benefcio era pssima.

Os CDs e DVDs vo acabar? 
No sei dizer quando, mas ainda em nosso tempo de vida tudo ser digital. A possibilidade de armazenar arquivos em servidores remotos, na nuvem, como chamamos, vai melhorar muito a vida do consumidor. As pessoas gostam de ter filmes da Disney em DVD porque seus filhos os veem vrias vezes. Com a tecnologia de armazenamento na nuvem, elas podero v-los quando e onde quiserem, com qualidade de imagem e excelente relao custo-benefcio. Pense nas possibilidades dessa tecnologia para quem tem o conglomerado Disney-Pixar-Marvel-ABC-ESPN.  incrvel. Gostaria de estar comeando minha carreira agora.

A Pixar tem sido a ponta de lana da criao de desenhos animados desde os anos 90, e seu criador, John Lasseter, hoje chefia o departamento de animao da prpria Disney. Qual o sentido de manter Pixar e Disney separadas? 
John tem um modo de fazer filmes que  muito eficiente.  uma cultura prpria da Pixar: um estdio liderado por diretores, com um processo de edio colaborativo, no qual um trabalho  julgado em primeiro lugar pelos prprios colegas. John levou isso para a Disney Animation, com timos resultados, como se viu em Enrolados e como se ver no prximo filme, Detona Ralph. No seriam filmes to bons sem John. Mas Pixar e Disney ainda tm culturas diferentes. Cada uma tem sua prpria histria, sede e equipe.  saudvel que compartilhem certos atributos, mas uma cultura no pode se impor  outra.


4. MALSON DA NBREGA  O OUTRO LADO DO MENSALO
     J  possvel comemorar o julgamento do mensalo, em curso no STF. Um de seus efeitos mais relevantes  provar a independncia do Judicirio. Em todo o mundo, essa foi uma das caractersticas que permitiram construir a democracia e o ambiente do qual emergiriam a prosperidade capitalista e o bem-estar da sociedade. Para entendermos essa realidade, faamos um rpido sobrevoo pela evoluo que trouxe o mundo at aqui.
     Na maior parte dos ltimos 10.000 anos, os pases que enriqueciam eram aqueles capazes de reunir recursos financeiros, materiais e humanos para guerras de conquista. Durante muito tempo, as receitas pblicas da Roma antiga provinham da pilhagem dos povos dominados. A partir do sculo XVII, a prosperidade passou a depender de instituies propcias ao desenvolvimento capitalista, cujo xito tem apenas dois sculos.
     O marco desse processo  a Revoluo Gloriosa (1688), na Inglaterra, da qual nasceriam as condies que viabilizaram a Revoluo Industrial. Dados levantados por Angus Maddison mostram que nos trs milnios anteriores o padro de vida da maioria dos pases se alterou muito pouco. Em 1800, a expectativa de vida de um ingls era semelhante  de um habitante da Roma antiga. Sua altura, resultado da qualidade da alimentao e da exposio a doenas, era menor do que na Idade da Pedra.
     A Revoluo Gloriosa, liderada pelo holands William de Orange,  frente das tropas que invadiram a Inglaterra, recebeu o apoio da nobreza, do clero e dos comerciantes ingleses, descontentes com o reinado de James II, que foi deposto. Para ascender ao trono. William assinou a Declarao de Direitos, que, entre outras inovaes institucionais, transferia a supremacia do poder para o Parlamento e proibia a demisso de juzes. Morriam o absolutismo e a tirania, nascia a independncia do Judicirio.
     Aprovada pelo Parlamento, a Declarao de Direitos se transformou na Carta de Direitos (Bill of Rights, 1689). No campo judicial, ela ampliava conquistas anteriores, como a instituio do habeas corpus (1679) e a extino da odiada Star Chamber (1641), tribunal que julgava processos de interesse da monarquia. O rei podia indicar juzes dessa corte, demiti-los e influenciar nas decises. Para Douglass North e Mancur Olson, as mudanas estabeleceram garantias de liberdades individuais, de respeito aos contratos e de direitos de propriedade, inclusive em favor dos crticos do governo. A segurana jurdica se tornou maior na Inglaterra do que em qualquer outro pas. Esse ambiente contribuiu decisivamente para as transformaes geradoras do desenvolvimento. Tinha-se agora o governo das leis, e no dos homens. A previsibilidade e a estabilidade das regras forjavam a confiana nas relaes entre os agentes econmicos, fundamentais para os negcios e a prosperidade.
     A independncia do Judicirio brasileiro foi inscrita na Constituio de 1988, mas est agora comprovada nesse memorvel julgamento do STF, cujo desenrolar demonstra inequivocamente o nosso amadurecimento institucional. Erraram os lderes do PT que esperavam dos juzes indicados por Lula e Dilma uma submissa declarao de inocncia dos rus. Ao contrrio, a expressiva maioria deles tem-se guiado por sua conscincia e pelos autos. O compromisso com a histria pessoal, com a carreira profissional e com a verdade se sobreps a presses de qualquer natureza.
     H muito que avanar no Judicirio brasileiro. Muitos juzes ainda tm dificuldade de entender o sistema capitalista e os incentivos que levam indivduos e empresas a assumir riscos, empreender, investir e inovar. A morosidade, decorrncia do complexo processo judicial, eleva custos de transao e inibe ganhos de produtividade da economia. Melhorias dependero de reformas inclusive dos currculos universitrios. Seja como for, o julgamento do mensalo aflorou teses inovadoras, que podem fundamentar sentenas exemplares. Os custos da corrupo ficam mais evidentes e podem inibi-la. Acima de tudo, dispomos de um dos mais relevantes fundamentos institucionais do pas. O Judicirio  um dos poderes autnomos da Repblica, condio essencial para a democracia e para o desenvolvimento.
MAILSON DA NBREGA  economista


5. LEITOR
Cinquenta Tons de Cinza
Morando h mais de 22 anos em Portugal, pas onde o sexo, em muitas classes,  tratado como tabu, observo que o livro Cinquenta Tons de Cinza teve algum impacto. Se novidades nos trazem maior prazer, que tenhamos a coragem de aceitar e experimentar. Melhor do que falar de sexo  fazer (Como  gostoso ler sobre s-e-x-o, 26 de setembro).
JENY CHEN
Parede, Portugal

Quarta-feira, hora do almoo, e o correio entrega meu segundo volume (Cinquenta Tons Mais Escuros). Disfaro meu entusiasmo em vo. Meu marido diz para meus trs filhos, de 7, 12 e 14 anos: Se algum tem alguma coisa para falar com a mame, diga agora, pois ela vai estar indisponvel nos prximos quatro dias.
GABRIELA FERNANDES DE MOURA BRANDO
So Gonalo do Sapuca, MG

Aos 39 anos, sou casada. tenho dois filhos, trabalho muito, suo para ser filha presente, tima me, excelente esposa, amante insubstituvel e, alm de tudo, bem-humorada, antenada, malhada, depilada e tudo o mais que uma mulher nos dias atuais tenta ser. Fico com pena dos homens de hoje que, por um lado, tentam entender uma mulher que  moderna e, por outro, ficam sonhando em ser um cara igual ao personagem do livro  que  chato, mal escrito, mal traduzido e no excita.
LINA CELIA LOTT PEIXOTO DOMENICI
So Paulo, SP

J tive relacionamentos e tambm li um bom nmero de livros consagrados pela crtica, inclusive clssicos. Mas nem os homens que passaram por minha vida, muito menos aqueles da fico, conseguiram me deixar to obcecada quanto Christian Grey. M literatura? Que nada.  prazer mesmo.
NAYANNA MORAIS 
Joo Pessoa, PB

 muito bom ler um romance como esse, que nos faz lembrar o que significa ser o sexo frgil. A submisso e a fragilidade so abordadas com charme no livro, que ressalta a importncia do casal (homem e mulher) em uma sociedade hoje to vulgarizada e cheia de opes.
PRISCILA RECHE 
So Paulo, SP

Depois de ler a reportagem de VEJA, dei o livro Cinquenta Tons de Cinza de presente a minha mulher. Ela o leu e quis o volume 2 (Cinquenta Tons Mais Escuros)  que tambm lhe dei com prazer. Tentei ler o volume 1, mas no consegui passar da primeira metade. Descobri durante a leitura que o principal torturado no  a Anastasia, e sim o homem que tenta ler aquilo. A viso de mundo to melodramtica que Anastasia demonstra me faz pensar que, se eu fosse Christian Grey, teria prazer em faz-la sofrer um pouco mais.
THELMO NAVES MOURA
Belo Horizonte, MG

Nenhum tipo de prazer justifica a dor. O sucesso do livro s comprova que, infelizmente, as mulheres continuam acreditando no prncipe encantado e querendo ser submissas a ele.
SILVANA N. MENDES
Joo Pessoa, PB

O sucesso do livro  um belo case de marketing. Ao defini-lo, como porn para mames, a editora deu a mulheres comuns, que no liam nada sobre o gnero, acesso  literatura ertica  que, nesse livro, ganhou ares de leitura moderna e descolada.
ANA LUIZA BADAR BRAGA
Rio de Janeiro, RJ

Mulheres que amam no se submetem. Com amor, o desejo de um  o prazer do outro. Isso  cumplicidade. O que as mulheres gostam ao ler Cinquenta Tons de Cinza, alm das cenas descritas com detalhes, so as atitudes de homem decidido de Christian Grey.  com homens assim que as mulheres fantasiam.
ELISABEL FERRICHE
Braslia, DF

Surgiu uma autora que grita ao mundo que o que a gente quer  o nosso Grey com muita pegada. Simples assim, Freud!
GORETH NOGUEIRA DOS S.V. COUTINHO
So Lus, MA

Um ator para dar vida a Christian Grey nas telas  Matt Bomer, da srie White Collar.
ALESSANDRA SANTOS REIS
Por e-mail

A meu ver, no funcionou a tentativa da psicloga britnica Faye Skelton de fazer o retrato falado do personagem do livro usando um programa especializado e detalhes anatmicos do rosto de seis atores.
EDGARDO CAMPOS
Belo Horizonte, MG

Toda mulher quer ser amada sem limites, e s a fraqueza dos machos pode desestimul-la. Ns, homens, coitadinhos... que nos cuidemos e tratemos de atender  demanda cada vez maior dessas fantsticas mulheres.
MARCO AURELIO M. DE SOUZA
Rio de Janeiro, RJ

FERREIRA GULLAR
Fascinante a presena do poeta maranhense Ferreira Gullar nas Pginas Amarelas (Uma viso crtica das coisas, 26 de setembro). A entrevista foi primorosa. Gullar nos brinda com sabedoria e lucidez.
ANA CAROLINA AMNCIO DE ARAJO
Teresina, PI

Ferreira Gullar, radical, soube definir com lucidez e preciso o socialismo e o capitalismo soltando as amarras com elegncia. Ganhou uma admiradora.
OLGA MARIA NEGREIROS L. SESSA
Vilria, ES

Um grande pensador, mestre das letras, conseguiu traduzir com preciso a necessidade de reavaliar conceitos ultrapassados. O raciocnio exato no esplendor dos 82 anos e a jovialidade de Gullar nos deixam orgulhosos de ser brasileiros.
NELSON SANTIAGO FILHO
Joo Pessoa, PB

A lucidez de Ferreira Gullar  gua fresca e limpa.
GLRIA BORGES
Braslia, DF

A verdade dura, sem fantasia,  poesia.
DOROTHY GOMES CARNEIRO
Curitiba, PR

Ferreira Gullar deu uma lio de erudio, honestidade e pragmatismo, qualidades rarssimas.
ROBERTO ALENCAR DE S PEREIRA
Rio de Janeiro, RJ

Valeu, Ferreira Gullar. Sua entrevista  muito til para aqueles que ainda no caram na real sobre as desgraas do socialismo em todas as suas formas.
TALO PASINI
Braslia, DF

As palavras de Ferreira Gullar merecem ser ainda mais divulgadas  sobretudo quando ele fala de socialismo e capitalismo. Pobre de quem ainda acredita na iluso da ditadura de esquerda como salvao da humanidade. Aos 82 anos, a liberdade potica voa alto em Gullar. Vida longa, poeta!
CSAR RASEC
Salvador, BA

Gostei da franqueza de Ferreira Gullar ao falar da doena mental. Se os doentes fossem diagnosticados e tratados a tempo, muitos assassinatos e crimes brutais poderiam ser evitados.
MARCO ANTMO ROCHEDO SQUEFF 
Porto Alegre, RS

LYA LUFT
Depois de ler Buscando a excelncia (26 de setembro), no me sinto mais louca, diferente, inadequada ou deslocada.
SUZI RAMPAZZO
So Paulo, SP

JOS DIRCEU
Em resposta  nota Regime fechado (Holofote, 26 de setembro), a defesa do ex-ministro Jos Dirceu refuta a afirmao de que h a expectativa de condenao  pena de oito anos no julgamento da Ao Penal 470 em curso no Supremo Tribunal Federal. Tal avaliao, atribuda  prpria equipe do ex-ministro,  equivocada porque sempre trabalhamos com a convico da absolvio e nunca com a perspectiva da condenao. A defesa de Jos Dirceu comprova, com base nas dezenas de depoimentos colhidos sob o crivo do contraditrio, que o ex-ministro  inocente. As acusaes que pesam contra ele so tnues (frgeis), como a prpria Procuradoria-Geral da Repblica admite publicamente e espelha em suas alegaes finais. Mais que demonstrar a fragilidade da acusao, a defesa constri raciocnio e comprovao cabal, fartamente documentada nos autos, que atestam a inocncia de Jos Dirceu.
JOS LUIS OLIVEIRA LIMA
So Paulo, SP

O SILNCIO DE LULA E O MENSALO
Sempre to loquaz, agora silente? Por qu? Est mais do que na hora de sabermos toda a verdade (O mensalo bate na porta, 26 de setembro).
MARIA STELLA M. BOTELHO DE SOUZA
Piracicaba, SP

Marcos Valrio deveria falar tudo o que sabe e mostrar o que tem sobre o mensalo.
MARCO RODRIGO MACHADO LARA 
Uberlndia, MG

INTOLERNCIA RELIGIOSA
Sou muulmano, mas totalmente contra as atitudes anormais de muitos dos meus compatriotas (Mais gasolina no incndio, 26 de setembro). Tenho parentes nos Estados Unidos e todos levam uma vida confortvel, algo que no Lbano, meu pas de origem, era invivel, pela instabilidade e pela falta de oportunidades. Querer usar o nome do profeta Maom para detonar tudo e todos  uma tremenda ignorncia, independentemente da raa, religio... Os muulmanos deveriam gastar essa energia toda para melhorar os pases onde vivem.
MUSTAFA BARUKI
So Paulo, SP

A fronteira entre a liberdade de expresso e o deboche  tnue. A charge de Jaguar sobre Jesus Cristo mostrada na reportagem de VEJA  um exemplo de como facilmente se resvala para o grotesco, o deseducado, o desrespeito, a ofensa. A charge enfraqueceu a riqueza do texto.
SALMA CHALHUB BALTOR DE ARAUJO 
Rio de Janeiro, RJ

VEJA
A qualidade de VEJA vem nos habituando h muitos anos. De fato,  uma revista muito benfeita, com excelentes artigos e reportagens e um bom cartaz de publicidade. Tem espaos de excelncia, como a Entrevista da semana, sempre atual e interessante. Uma pequena crtica: creio que podia ter um pouco mais de opinio. Parabenizo a equipe pela cobertura que tem feito sobre o caso do mensalo, que muitos estragos j causou na poltica e na sociedade brasileira  alis, com extenso at o meu pas, Portugal, alegadamente tocando aqui e ali nomes de pessoas, empresas e um banco, designadamente PT, BES, Somague, Antnio Mexia enquanto ministro das Obras Pblicas, assunto de que VEJA tem tratado exaustivamente, levando aos leitores o maior nmero de dados possvel. Na edio 2288 (26 de setembro), destaco a entrevista com o poeta Ferreira Gullar, com uma viso muito interessante do tempo que vai passando e sobre alguns momentos e casos relevantes da vida nacional do Brasil e do mundo. Saliento tambm o artigo imperdvel da escritora Lya Luft, intitulado Buscando a excelncia, que reflete com firmeza e sensibilidade a sociedade atual e algumas maneiras como (no) nos comportamos com os outros. Excelente anlise sobre os tempos que vivemos.
JOS MANUEL PINA
Lisboa, Portugal

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


6. BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

RADAR
LAURO JARDIM
BARO VERMELHO
Alm da autorizao para captar 8,6 milhes de reais via Lei Rouanet, o Baro Vermelho ter mais um incentivo fiscal para celebrar seus trinta anos de carreira, O documentrio A Noite Nunca Tem Fim: 30 Anos de Baro ter 1,4 milho de reais via incentivo da Ancine. www.veja.com/radar

ESPELHO MEU
LUCIA MANDEL
CREMES
A pele mida absorve melhor os ingredientes ativos dos cremes. E isso vale tanto para cremes de rosto quanto para os corporais. www.veja.com/espelhomeu

QUANTO DRAMA!
PATRICIA VILLALBA 
NOVELA
Silvio de Abreu admite que, no novo round de Guerra dos Sexos, as mulheres entram em campo com grande vantagem. Uma mulher presidente do pas. Quer vantagem maior do que essa?, diverte-se. www.veja.com/quantodrama

COLUNA
RICARDO SETTI
MENSALO
Ver Valdemar Costa Neto  ou o Boy, seu apelido na regio de Mogi das Cruzes (SP), na qual exerceu sua influencia poltica  na cadeia  algo que, como diz a propaganda famosa, no tem preo. www.veja.com/ricadosetti

GENTICA
A EXPRESSO DOS GENES
Nas colmeias, existem a rainha e as operrias. Essas ltimas, quando jovens, exercem a funo de cuidadoras e so responsveis por zelar pela rainha e pelas larvas. Mais tarde, as cuidadoras tornam-se provedoras e saem da colmeia para buscar alimento. Pesquisa recente mostra que essas funes das abelhas so controladas pela expresso dos genes, em resposta a uma sinalizao ambiental, e, mais ainda, que esse controle  reversvel. Abelhas provedoras podero voltar a ser cuidadoras se essa for a necessidade da colmeia.
www.veja.com/genetica

IMPERDVEL
A VIDA DO MITO
Neil Young, lenda viva do rock, conta a sua histria pela primeira vez no livro Neil Young  A Autobiografia. Embora seja mais conhecido pela msica, Young passa
boa parte do livro falando de sua segunda paixo: carros. Alm de colecionar modelos, o msico almeja converter os maiores e mais antigos, sonho de todo americano, em hbridos. Seu projeto Lincvolt, um gigantesco Lincoln Continental movido a energia renovvel e limpa, j foi at mesmo tema de uma palestra que fez no Brasil no ano passado. Atualmente isolado numa fazenda ao sul de So Francisco, Neil Young ainda exercita seu esprito hippie, que est em plena forma e dedicado a causas como a preservao do meio ambiente e o acesso livre  msica por meios digitais. www.veja.com/imperdivel

SOBRE IMAGENS
RETRATOS DO MXICO
A fotgrafa paulista Adriana Zehbrauskas tem se dedicado nos ltimos tempos a documentar o bairro de Tepito, na Cidade do Mxico. O trabalho envolve as mesmas dificuldades e perigos das demandas jornalsticas. Tepito  uma das regies mais pobres e violentas da capital mexicana  um centro do comrcio de drogas e atividades ilegais, como a venda de produtos eletrnicos. No blog esto algumas das fotos de Adriana. www.veja.com/sobreimagens

 Esta pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


7. EINSTEIN SADE  CNCER DE PELE: TRATAMENTO SEM CIRURGIA
Indicada para leses superficiais, a terapia fotodinmica  eficaz, segura e no deixa cicatrizes.

     O cncer de pele  o tipo de cncer mais comum entre os seres humanos. O carcinoma, tipo menos agressivo, responde por 95% dos casos e, desse total, 75% so carcinomas basocelulares. Detectados precocemente, esses tipos possuem ndices de cura prximos de 100%. O porm  que a maioria desses tumores ocorre em reas expostas, especialmente no rosto, e, como o tratamento  quase sempre cirrgico, h a possibilidade de danos estticos que podem afetar a autoestima dos pacientes. 
     Mas uma alternativa se abre com a terapia fotodinmica, tecnologia aprovada em 1999 na Europa e trazida recentemente para o Brasil. Ela  indicada para carcinomas basocelulares superficiais (a grande maioria deles) com espessura de, no mximo, 2 mm. Alm de eficcia comprovada e segurana semelhante  do procedimento cirrgico, o maior benefcio  a remoo da leso sem deixar cicatrizes.
     A terapia fotodinmica tambm pode ser adotada no tratamento de leses pr-cancerosas e de reas com mltiplas leses de potencial cancergeno (campos de cancerizao), geralmente localizadas em partes expostas, como couro cabeludo, rosto, e antebraos.  indicada, ainda, no tratamento preventivo de cncer de pele em pacientes com imunossupresso por causa de transplantes, principalmente os que passaram por transplantes renais.
     A tcnica baseia-se na aplicao sobre a leso de uma pomada  base de aminolevulinato de metila, que faz com que as clulas cancergenas produzam grande quantidade de protoporfirina IX. Esta, ao ser iluminada por uma lmpada especial, gera substncias txicas que destroem exclusivamente as clulas do tumor, preservando as reas sadias da pele. H pesquisas em andamento para desenvolver substncias fotossensibilizantes ainda mais eficazes e com ao mais rpida.
     O procedimento  ambulatorial. Duas sesses de aproximadamente oito minutos cada so suficientes para destruir o carcinoma basocelular superficial e a doena de Bowen (tipo de carcinoma espinocelular). Nas leses pr-cancerosas, o resultado  efetivo com apenas uma sesso. A vermelhido e o inchao provocados pelo procedimento regridem totalmente em cerca de duas semanas.
     Atualmente disponvel em poucos centros especializados, a indicao da terapia fotodinmica requer criteriosa avaliao mdica. Por se tratar de uma terapia tpica, sua aplicao se restringe s leses superficiais. Portanto, quanto mais precoce o diagnstico do carcinoma basocelular superficial, maior a possibilidade de poder contar com a fotodinmica como alternativa ao tratamento cirrgico.

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